terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Missões e Cultura

  
 Escrito por Fernando Corrêa Pinto


O preparo do coração tem uma importância muito maior do que o preparo do sermão (John Stott)

Hoje se fala muito de missões transculturais, ou seja, sair de sua cultura ou país e ir para outra nação para pregar o evangelho. Apesar dos meios de comunicação como internet, televisão e radio ajudarem no trabalho de transmissão do evangelho para muitas nações, sabemos que existem muitos lugares que não possuem tais recursos.

A melhor forma ainda hoje de alcançar alguns povos é através do envio de pessoas. Nesse assunto é necessário fazer uma pergunta. Será que temos preparado bem os nossos missionários para lidar com esse desafio. Falamos de choque cultural, estudo de idiomas, aspectos antropológicos e sociais, mas muitas vezes acredito que precisamos vivenciar a experiência no local. Parece que quando chegamos a outra cultura nos tornamos como criança, precisamos voltar do zero e aprender com o povo para que possamos mais tarde alcança-los. Contudo muitas vezes na pressa de apresentar resultados iniciamos um trabalho precipitado que pode causar resistência  no povo a ser alcançado. É importante sim falar de aspectos antropológicos e culturais, mas é necessário dar uma atenção especial as particularidades de cada cultura.
O que é a antropologia? Respondendo de forma bem simplificada. Digo que é o estudo do ser humano. Estudo de seus comportamentos e suas produções. Existem dois tipos de foco no estudo antropológico. A Antropologia física e a cultural. Na física como o próprio nome já diz refere-se aos aspectos relacionados a genética, medidas e descrições de características física dos povos. Entretanto, atualmente é de grande importância o estudante se ocupar com a investigação da antropologia cultural. Nesta estudamos o folclore, a organização social, costumes, padrão de vida, comportamento; além de comida, organização familiar, crenças, línguas e valores. Também são interrogados porque determinado individuo de uma sociedade age do jeito que age? Quais são as normas que definem o comportamento de um grupo e quais os valores que mantém estes aspectos ainda vivos impedindo que sejam substituídos por outros. Como vemos não basta analisar o tipo de comida ou vestimenta de um grupo, mas é importante se perguntar por que comem isso ou por que se vestem assim? Certa roupa pode falar de classe social ou moda, determinadas comidas podem apontar escassez ou falta de dinheiro. Em nosso país, por exemplo, o que significa usar um anel de brilhante?[1] O que nos fala um homem de terno e carro zero? Essas perguntas devem ser respondidas e colocadas em nossas matérias de estudo.
Ainda podemos nos perguntar, o que é cultura? Para muitas pessoas cultura é o grau de conhecimento que uma pessoa possui. Desta forma, quando se vê uma pessoa simples e rude alguns a definem como alguém desprovido de cultura. Povos indígenas que vivem de com bastante simplicidade recebem o mesmo adjetivo. Contudo, não é desta forma que a antropologia define cultura. Vejamos essa explicação;
Definimos cultura como o conjunto de comportamentos e ideias características de um povo, que se transmite de uma geração a outra e que resulta da socialização e verificadas no decorrer de sua histórias. Com os animais não acontece este aprendizado porque eles se valem apenas de seu instinto natural. Os passaros não precisam aprender a fazer o seu ninho mas o homem precisa aprender a fazer a sua casa.[2]

Portanto a cultura é a forma que um grupo determinado age dentro de sua sociedade. Essa forma de agir é aprendida e passada para outras gerações.[3]
Existem ainda outros tipos de culturas que podemos mencionar. Definimos cultura civilizada e cultura primitiva. Esses termos não são usados de forma negativa, mas para que se possa estudar e observar o grau de industrialização de um povo. Por exemplo, na área urbana do Brasil podemos andar em ruas asfaltadas de carro, metrô, comprar comida no mercado, aquecê no micro-ondas, nos casarmos com toda formalidade e etc. Em uma cultura primitiva não existe estas possibilidades, a vida se resume a caçar, pescar, cuidar de crianças e participar de rituais e danças. Todavia, não podemos dizer que uma cultura que residente nos interiores, iletrada ou primitiva que sejam inferior a nossa.[4]  
Acredito na existência de uma grande diversidade de culturas, que para muitos são consideradas inferiores por não ter o nível de industrialização de uma área urbana, mas que são riquíssimas em conhecimento. Tais conhecimentos são adquiridos por indivíduos sem que eles passem por uma escola. Muitos deles vivem bem com sua linguagem, expressões, vida familiar, sem preocupações materiais. Desta forma, acabam vivendo muito melhor que um cidadão urbano em vários aspectos.

1.1.1        Animistas

Neste meio podemos encontrar grupos animistas, que são sociedades que tem como ciência a religiosidade. A forma de explicar os fenômenos naturais é atribuída a intervenções sobrenaturais. O sol, terra, rios, cachoeira, animais, vegetais, chuva, vento e todas as atividades que estão relacionados com estes elementos possuem uma intervenção transcendente em suas manifestações.
Dentro destas sociedades é comum encontrar grupos que praticam a magia. São sociedades que valorizam e respeitam demasiadamente estas praticas. O missionário que atua nestes grupos deve ter conhecimento dos conceitos particulares que cercas seus costumes. É comum em meio a essas sociedade atribuir suas curas, propriedades e contribuição favorável da natureza a algum tipo de ritual que chamam de magia branca. Vejamos a citação abaixo;
Como magia branca simples e doméstica podemos exemplificar os Quéchuas que organizam ossos de lhama atrás das portas de suas casas, em ordem e tamanho específicos, a fim de proporcionar abundância naquele lar. Há necessidade de conhecimento específico dos elementos e sua manipulação; conhecimento este passado dos velhos para os novos. Neste caso é uma magia aberta, comunitária, visto que todos podem observá-la, aprendê-la e praticá-la.[5]
Outra categoria conhecida também de magia nestas sociedades é a magia negra.
Negra, temida por trazer destruição e morte. Pode ser praticada pelo homem mágico ou feiticeiro, ou pela categoria rara de bruxo. Normalmente a magia negra é mais especializada e restritiva, sendo que apenas alguns podem aprendê-la ou realizá-la. Em alguns casos pode ser herdada. É aprendida a partir de uma iniciativa pontual, iniciando-se o jovem à arte de tal magia pelo velho, que já a pratica. O bruxo, antropologicamente, usaremos aqui para designar a figura reclusa de um homem, ou mulher, que se aperfeiçoa na arte de dominar, matar ou destruir a partir de atos mágicos ou invocatórios, portanto não se resume apenas à prática mágica. É recorrente a crença de que há uma ligação entre a prática de magia negra e o desenvolvimento de problemas físicos naqueles que a praticam.[6]
É de fato fundamental ter ciencia destes conceitos a fim de elaborar um planejamento para atuação em campos animistas. Ainda existem outras categrorias de magia;
Imitativa, referente a amor e ódio e um exemplo clássico é o wodu que imita o objeto alvo sendo porém bem mais extensa do que percebemos na forma como se tornou mais conhecida. No Haiti a magia imitativa é popularizada através de bonecos feitos e manipulados, com forma das pessoas que desejam atingir. No caso do vodu seria necessário que houvesse algum elemento pertencente a esta pessoa, em um ambiente propício para o ato mágico. E se crê que, havendo semelhança suficiente entre o boneco e a pessoa, dentro de uma manipulação preconcebida e aprendida, os atos realizados com o boneco (manipulação) se refletirão na pessoa que o boneco representa. Uma das suas variáveis seria a imitação de roças, casas, ambientes naturais etc. 
Simpatica, que trata da fertilidade, proteção e paixão. De forma geral pressupõe-se que toda magia é simpática, porém utilizamos aqui o termo para designar as iniciativas mágicas usadas para procriação, proteçào e paixão, como a branca e imitativa mas com a característica de serem atos abertos e não velados, disponível para compra ou prática, de forma simples e comunitária. Está associada a tabus e talismãs e se propõe a controlar o acaso e não produzir um fim específico 
Alegórica, produtoras de ganhos e perdas, com elementos específicos que em determinadas situações podem produzir ganhos e, em sua ausência, prejuízos, como a água benta vendida em algumas igrejas. Assemelha-se à imitativa e a mais forte diferença seria a crença.[7]

Dentro destas culturas a comunicação integral do evangelho se torna desafiadora. É importante lembrar que o evangelho não é uma mensagem importada ou negociavel, mas é a comunicação de Deus para a salvação e também tranformação das culturas. O evangelho é integralemte aplicavel as culturas sem que haja necessidade de relações sincreticas.
Dentro dos contexto que afimamos acima é importantissimo que missionário esteja preparado para a atuação sábia em meio as sociedades. Neste ponto é relevante salientar que que o ser humano é o foco da salvação de Deus e não podemos enchergá-los como nossos oponentes.  
[...] pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes. (Efésios 6.12) [8]
Após traçar pontos que entendemos ser básicos para o conhecimento do missionário é preciso destacar que receitas prontas para atuação dentro de culturas diferenciadas não se aplicam em muitos casos. Certamente que o aprendizado adquirido em escolas de missões com missionários mais experientes é muito proveitoso. Mas sabemos que os tempos mudam, o espaço geográfico muda, a política muda e até mesmo o contexto religioso pode mudar.
Sou do sudeste brasileiro e meu primeiro desafio missionário foi dentro do próprio sudeste em um estado vizinho. Posso dizer que em muitos aspectos tive choque com a cultura deste estado, mesmo sendo bem próximo. Os costumes eram realmente bem diferentes, foi uma experiência muito desafiadora e um grande aprendizado. Após alguns anos sai do sudeste brasileiro e fui enviado para o nordeste. Mesmo dentro de minha nação e tendo certeza que estaria confortável ali, percebi que estava em outro mundo. Não entendia o que era falado, e tinha dificuldade de me fazer entender, principalmente quando a relação era no interior, zona da mata, agreste e etc. Percebi que precisava me tornar um aprendiz. Com frequência me irritava com a falta de pontualidade, com desorganização da cidade, com o povo de sangue quente. Costumo dizer que este foi o legado deixado por Lampião. Todavia pude ver um povo que mesmo diante de tanta dificuldade e escassez não desanimava. Quantas vezes vi pessoas empurrando carrinhos de caldo de cana em meio ao trânsito durante horas para vender na praia. O caldo de cana é apenas um exemplo poderia falar a mesma coisa da água de coco, do amendoim, das frutas e tantas outras atividades. Um povo que não tem vergonha de trabalhar, que não teme a simplicidade e que é muito acolhedor. Neste momento trabalhando com a missão rural e urbana, com viagens de curta duração para estados vizinhos dentro do próprio Nordeste brasileiro, percebo que o tempo de adaptação, o processo de compreensão da cultura e o respeito com o povo é uma tarefa que demanda tempo. Da mesma forma que tenho uma pequena experiência em culturas diferentes acabo também recebendo muitos grupos de missionários de toda a parte do mundo em nossa comunidade. Vejo muita maturidade em alguns grupos, todavia em outros vejo um completo despreparo, poderia chama-los de turistas evangélicos. Recebo pessoas que nos ajudam muito, trabalham suado na obra e outros que gostam das estatísticas, de voltar para sua terra dizendo que plantou tantas igrejas e que ganhou outras tantas almas. São recebidos em suas comunidades locais como verdadeiros heróis, entretanto nós que permanecemos sabemos que estes relatórios não são precisos. Impactos de uma semana ou até mesmo um mês podem ser muito frutíferos quando existe um preparo adequado para tal função e consolidação imediata para os convertidos.

1.1.2        Nômades


Falamos um pouco de culturas primitivas mencionando algumas praticas tribais. Neste momento gostaria de focar um pouco em falar de uma parte de grupos nômades. Para atuar em meios a essas culturas precisamos primeiro vencer alguns obstáculos. Vejamos a citação abaixo:
Jesus está entre os nômades antes de nós, esperando por nossas vidas e nossas vozes para manifestar sua presença. As pesquisas mostram que a maioria das pessoas que se tornaram cristãs o fez porque elas conheciam outro cristão. Os nômades precisam de nós para viver como cristãos nômades, no mesmo nível deles, tanto quanto possível. O grande pastor procura por discípulos comprometidos em ajudar os nômades do mundo, aprender o idioma, as habilidades deles e, através de uma experiência de vidas compartilhadas, fazê-lo conhecido. Seu amor precisa ser demonstrado na prática para melhorar o nomadismo do povo — na educação, saúde comunitária, ajuda médica e veterinária e manejo de pasto. Precisamos compreender as práticas religiosas dos nômades, seus temores não esclarecidos e apresentar-lhes o Deus pastor nômade da Bíblia. Nós precisamos demonstrar pelo exemplo que o grande Pastor se sente realmente à vontade nas tendas nômades.[9]

É certo que cada cultura tem suas particularidades e que o missionário deve compreender isso para a atuação eficaz em tais movimentos. Entender o mecanismo de vida deles é importante para aprender e ensina-los a viver como cristãos nômades.
Sociedades ciganas nos motivam de forma muito efetiva. Eles possuem costumes muito preciosos para eles, não permitem que grupos de fora se aproximem e em sua maioria só se casam entre eles. Tudo isso para manter suas tradições que são passadas de geração em geração.
O termo "nômade" foi originalmente utilizado tempos atrás somente com os beduínos.  Eles conduziam animais progressivamente para pastos diferentes.  Atualmente “nômade” é um termo usado para se referir a todas as sociedades em que a cultura e estilo de vida estão baseados na necessidade de viajar constantemente para encontrar uma forma de sobrevivência.
No meio dos nômades existem três grupos, os caçadores, os pastoralistas e os itinerantes.
“Os aborígines da Austrália e os bushmen e pigmeus na África são exemplos de caçadores-coletores. Os nômades de barco, como os bajau do sudeste da Ásia e os pescadores boso do rio Níger,”[10] Também são.
Os outros dois grupos são bem semelhantes trabalhando para o seu sustento e em alguns momentos estabelecendo relações comerciais com grupos não nômades. Vejamos o que fala o autor David Phillips sobre os pastoralistas;
A subsistência e a cultura dos pastoralistas nômades são baseadas na criação e busca de pastagem para seus animais domésticos. Os beduínos do Oriente Médio e África do Norte, os sami da Escandinávia e os Fulbe da África Ocidental são exemplos de pastoralistas. Os pastoralistas não estão tão diretamente envolvidos com a sociedade como um todo porque os sistemas pastorais podem ser auto-suficientes e seu pasto, muitas vezes, fica distante dos centros populacionais. Por dependerem primariamente dos ecossistemas naturais e só precisar parcialmente de recursos humanos, eles desenvolvem bastante autonomia como sociedades mais fechadas. [11]
E ainda sobre os itinerantes.
Os itinerantes são os artesãos ambulantes, artistas e comerciantes — como os gadulyia lohars da Índia e os ciganos da Europa. Muitos outros nomes foram sugeridos para este grupo diverso, inclusive “nômades comerciais", “viajantes” e até povos "do tipo cigano". Mas itinerantes dá a idéia de movimento para alcançar mercados mais amplos para ocupações que, de outra forma, seriam praticadas a nível local.[12]
O que realmente esses grupos têm de semelhante é a sua vida em movimento. E para trabalhar no seu meio é importante compreender não somente seus costumes e forma de viver, mas também a visão que eles possuem dos povos circunvizinhos e como entendem a modernização. Muitos deles olham para a sociedade externa considerando os mesmos como sedentários, sendo assim, precisam manter distancia para que não haja influencia em seu modo de viver. Neste ponto também entra a visão deles a respeito dos cristãos. Infelizmente eles olham para cristãos como pessoas apegadas a construções e a uma vida sedentária. Esse testemunho tem sido reforçado por parte de missionários que entram em suas culturas, muitas vezes bem intencionados, mas acabam tentando estabelecer formas de fixação de seus trabalhos e normalmente com estruturas e técnicas de cultivo de lavoura e animais. Na visão de muitos não nômades essa vida de permanente mudança e muito desagradável, contudo é necessário remover esses óculos e olhar pelo prisma deles.
O trabalho missionário dentro destes grupos precisa fazer com que eles compreendam que seu estilo de vida não os distancia da graça de Deus. Partilhar inclusive que seu estilo de vida é compatível coma vida cristã. Mostrar que Deus está interessado neles e os ama. Mostrar na própria Bíblia o trabalho de Jesus e dos apóstolos que não possuíam morada fixa e estavam em constante movimento. Mostrar a metáfora do peregrino que se encaixa bem em sua forma de viver, e ainda a visão pastoral que a bíblia aplica didaticamente para transmitir sua mensagem. Os nômades são milhares no mundo todo e se tornam mais um grande desafio para o trabalho desenvolvido pelos missionários.

1.1.3        Nossa Janela 10x40


O Missionário e escritos Ronaldo Lídório destaca que em nosso país existem grupos de povos não alcançados. Costumo dizer que é a nossa janela 10x40. Segue em ordem estes grupos.
1. Indígenas: 121 tribos sem acesso direto ao evangelho;

2.Ribeirinhos: 10.000 comunidades sem igrejas;

3.Quilombolas: 2.000 comunidades sem igrejas;

4.Ciganos: 700.000 pessoas sem o evangelho e apenas 14 missionários;

5.Sertanejos: 2.000 assentamentos sem acesso direto ao evangelho;

6.Imigrantes: mais de 100 países representados no Brasil, dos quais 27 deles são fechados ao evangelho;

7.Os mais ricos dos ricos e os mais pobres dos pobres: São aqueles que moram em condomínios de luxo e aqueles que moram debaixo da ponte ou nas ruas das grandes cidades.[13]

            Interessante o quanto podemos fazer mesmo sem sair de nosso país. Na realidade existem algumas ações para que estes grupos sejam alcançados, todavia não são muitos.
Quando falamos de imigrantes podemos nos fazer uma pergunta: O que temos feito para alcançar esses povos? Recordo-me quando morava em Teresópolis quantas vezes saia de casa para ir comer na pastelaria do Chinês, muitas vezes estive ali sem se quer tentar me comunicar com eles. Sabemos que a China é um país muito fechado ao evangelho e que esses imigrantes costumam retornar periodicamente para sua nação. Imagino o impacto que um chinês convertido poderia fazer em sua pátria. Muitas outras vezes ia a loja daqueles que chamávamos de turcos, que na realidade eram libaneses, sem nunca ter dito a eles que Jesus os amava. Quando morei em São Paulo diversas vezes fui com minha esposa na conhecida Rua 25 de março e no Braz. Aquele lugar é um lugar de missão transcultural. Eram dezenas de chineses, bolivianos, peruanos, árabes, chilenos e muitos japoneses. É um campo muito vasto para a pregação do evangelho.
Quando morei em Recife pude perceber esse campo se expandindo. No nordeste brasileiro temos comunidades ribeirinhas, sertanejos, indígenas, quilombolas, ciganos e certamente pessoas muito pobres e outras muito ricas. Este local é um campo realmente muito fértil. Bem perto de minha casa existe uma comunidade quilombola onde temos fácil acesso para o evangelismo. Nossa igreja se reúne em um bairro bem úmido na cidade de Jaboatão dos Guararapes, uma comunidade muito carente, mas fervorosa na pregação do evangelho. Para chegar até o local é necessário passar por muitas ruas alagadas e cheias de barro. Todavia, vemos pessoas de muitos lugares se converter toda semana. Com frequência saímos promovendo ações evangelísticas nas proximidades. Como se trata de uma comunidade pobre o trabalho de missão urbana com arte e dança tem dado muitos resultados positivos. Pregamos nas praças e nas ruas e promovemos encontros em lugares onde pessoas se drogam e se prostituem. É um trabalho desafiador, mas muito gratificante. Minha meta para os próximos anos é alcançar o sertão, indígenas e quilombolas das redondezas.
Se tratando da pregação do evangelho para os ricos podemos utilizar os recursos da internet, radio e TV para esse fim, todavia sabemos que muito do que tem na midia atualmente é uma verdadeira distorção do evangelho. Missionários da mídia que prometem coisas que não podemos afirmar que Deus prometeu em Sua Palavra. Deus é poderoso para fazer o que Ele quiser, mas pode não fazer também se não quiser. Neste momento lembramos-nos da resposta que ele deu a Paulo em (2 Coríntios 12:7-9)
Para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.
Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.


  Certamente que Deus não esta preocupado somente com a salvações dos pobres como alguns teólogos da libertação afirmam erroneamente, todavia existe outro extremo da teologia da prosperidade que tem afirmado o contrario. Ambos se atrapalham em suas concepções. Eu prefiro ficar com a palavra de Deus em Mateus 18,14 que diz “Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca.” Em resumo Deus precisa sim de pessoas preparadas para evangelizar aqueles que não estão acessíveis a nós, que moram em condomínios de luxo, saem em seus carros e frequentam lugares que dificilmente poderíamos entrar. Deus precisa de missionários e estratégias para alcançar este povo que é muito carente de ouvir a Palavra que transforma.
Atuar em culturas diferentes realmente é um grande desafio e exige muito empenho, tenho o costume de dizer que nossa primeira missão transcultural começa no casamento, pois duas pessoas que receberam ensinamentos bem diferenciados em suas famílias de origem se juntam para partilhar a vida. Da mesma forma que nos empenhamos em nossas famílias para compreender as diferenças, para amar, para respeitar, pastorear e conviver também devemos olhar para o diferente com o amor de Deus. Quer seja muçulmano, budista ou comunista precisamos do auxílio do Espírito Santo para atuar com sabedoria e amor neste campo. Que Ele possa nos preparar para essa missão possível.




[1]BURNS, Barbara, AZEVEDO, Décio, CARMINATI, Paulo, Costumes e Cultura, Uma introdução à antropologia Missionária,  São Paulo: Vida Nova, 1996. p. 18.
[3] CARSON, D.A, Cristo&Cultura, uma releitura, Trad. Marcio Loureiro Redondo, São Paulo: Vida Nova, 2012. p.13.
[4] BURNS, Barbara, AZEVEDO, Décio, CARMINATI, Paulo, 1996. p. 21.
[5]LINDÓRIO, Ronaldo, Prática de magia em Sociedades animistas, Disponível em http://instituto.antropos.com.br/v3/index.php?option=com_content&view=article&id=530&catid=37&Itemid=6 acessado em 22/05/2014
[9] PHILLIPS, David, J, Povos em Movimentos, Introduzindo os nômades no mundo. Ebook, disponível em http://www.instituto.antropos.com.br/downloads/ebooks_html/povosemmovimento/ acessado em 13/062014. P 12

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