terça-feira, 24 de março de 2015

Estudo sobre os Puritanos


Pesquisa realizada em 2011
Por Fernando Corrêa Pinto



O surgimento do puritanismo

Frequentemente vemos o nome de William Tyndale aparecendo como o primeiro puritano, como afirma David Martyn Lloyd Jones  “O puritanismo, estou disposto a asseverar com Knappen em sua obra Os Puritanos, realmente começou a manifestar-se em William Tyndale, e nos idos de 1524.” [1]
Essa afirmativa do autor representa o puritanismo como uma mentalidade, como uma atitude e um espírito que começou a se mostrar em Tyndale. Ele tinha um ardente desejo de que o povo comum pudesse ler as Escrituras Sagradas. Com isso, Tyndale lança uma tradução da Bíblia sem a autorização dos bispos. Outra ação bastante incomum na época foi retirar-se da Inglaterra e ir para Alemanha sem a autorização real. Estas eram atitudes freqüentes entre os puritanos segundo, Lloyd-Jones.[2] 

Posteriormente, o nome puritano foi atribuído àqueles que possuíam características semelhantes às de Tyndale como cita Justo González sobre os puritanos. “O nome que se lhes deu foi o de “puritanos”, porque insistiam na necessidade de regressar à pura religião bíblica.” [3]  
Outros nomes que também precisam ser destacados e que podem ter motivado à mentalidade daqueles que se opunham à igreja oficial da época foram John Hus e John Wycliffe conhecidos na história como pré-reformadores.[4]

             
Para compreender ainda as origens do puritanismo precisamos considerar o seu momento político. Em 1521, o rei da Inglaterra, Henrique VIII, da dinastia dos Tudors, publicou um documento criticando a redução dos sacramentos de Lutero, recebendo do papa por causa disto o título de “Defensor da Fé”. 
O rei era casado com Catarina de Aragão, viúva de seu irmão Artur, todavia, desejava casar-se com Ana Bolena. Por esse motivo ele procura anular seu matrimônio com Catarina alegando que possuía um grau de parentesco, e desta forma estaria cometendo incesto tendo como base o texto de Levítico 18.16, como destaca Carlos Jeremias Klein Henrique VIII, casado com Catarina de Aragão, viúva de seu irmão Artur, tentou anular esse casamento em 1526, para contrair núpicias com Ana Bolena. Alegou que o casamento era inválido, com base em Levítico 18:16, pelo grau de parentesco com Catarina que, sendo sua cunhada, poderia ser considerada sua irmã, o que configuraria incesto, sendo, nessa teoria, apoiado por um grupo de teólogos.[5]

Entretanto, existia outro motivo por trás destas afirmações. O rei desejava ter um filho homem e após muito tempo de matrimônio com Catarina, este herdeiro não chegou como cita Justo Gonzalez. “Era necessário que o rei tivesse um herdeiro varão, e depois de muitos anos de casamento com Catarina ficou claro que tal herdeiro não procederia desta união” [6]   
 Lloyd-Jones destaca que a procura do rei para separação e o novo casamento se tratava de busca de poder. “Henrique VIII, como se sabe muito bem, estava realmente interessado em uma só coisa, e esta era poder conseguindo o divórcio e o novo casamento.” [7] Isso fez com que houvesse nele o desejo de se livrar da autoridade de Roma para se tornar chefe da Igreja da Inglaterra.
Em 1530, o cardeal Thomas Wolsey, que era o primeiro ministro do reino, é destituído de seu cargo, dando lugar para Thomas Cromwell. Cromwell busca solucionar o problema do rei, trazendo o exemplo dos príncipes alemães que aderiram à reforma de Lutero. Com isso, ele sugere que haja um rompimento entre a Igreja da Inglaterra e Roma. Em 1531, é feita uma assembleia geral do clero e o parlamento que declaram o rei como o chefe da Igreja na Inglaterra.[8]
Inicialmente ele procurou abolir alguns elementos do catolicismo romano, entretanto, por vezes mudava o seu posicionamento doutrinário segundo cita Lloyd Jones sobre o rei Henrique VIII.
Doutrinariamente ele morre católico romano total e completo. Esta mistura de motivos, pensamento confuso e conselhos divididos significavam que ele estava em constantes dificuldades, pelo que vivia mudando sua política. Em 1532, por exemplo, ele autorizou dez artigos nos quais, embora retivesse ainda todas as diversas cerimônias que eram características da igreja católica romana, modificou um pouco o conceito de purgatório, culto aos santos, o culto das relíquias sagradas, bem como as imagens, as peregrinações e coisas deste tipo. Contudo, isto durou pouco porque em 1538 ele mudou de novo toda a sua posição e mais ou menos voltou ao ponto no qual tinha partido.[9]

Com essas e outras ações, Henrique VIII provoca o aparecimento da atitude puritana típica. Agora este grupo começava a sentir que nenhuma atitude considerável havia sido tomada no sentido de estabelecer uma igreja em moldes diferentes da Igreja Romana. Eles perceberam que não bastava tratar do ensino católico romano, mas precisariam tomar atitudes mais práticas. Está é a nota mais característica do puritanismo. Alguns que alimentavam ideias mais radicais se dirigiram para Suíça, como é o caso de Miles Coverdale e John Hooper.[10] Este grupo sendo influenciado pelas ideias dos reformadores continentais iniciou também um discurso contra as práticas litúrgicas da igreja na Inglaterra.
Com a morte de Henrique VIII, quem o sucede no trono em 1547 é seu único herdeiro masculino, Eduardo VI. A liderança de Eduardo contava com a ajuda de Thomas Cranmer de Cantuária a quem o rei anterior havia feito arcebispo. “Tomas Cranmer, a quem Henrique fez arcebispo de Canterbury, foi um dos principais propulsores da Reforma na Inglaterra.”[11]
Em 1549, Cranmer inicia uma visível reforma na Igreja da Inglaterra. Ele combate práticas como o culto às imagens, o celibato obrigatório e cria uma liturgia própria e doutrinas influenciadas pelas ideias de Calvino. Ele também introduz o Livro de Oração Comum e elabora, juntamente com John Knox e outros teólogos, os 42 Artigos de Religião. A Igreja chamada Anglicana passaria a constituir certo diálogo entre as práticas romanas, luteranas e reformadas.[12]
Ainda no reinado de Eduardo VI, podemos verificar a Igreja da Inglaterra tomando uma nova roupagem e aproximando-se mais do protestantismo. Entretanto, neste mesmo período, surge John Hooper, um homem que aceita se tornar bispo e recusa o uso de vestes litúrgicas. Ele permanece preso por um tempo, mas continua argumentando que as vestes não são ordenanças bíblicas, conforme cita Lloyd Jones. 
 Seu argumento era como segue: colocava o seu argumento do seguinte silogismo: premissa maior – todas as coisas que se requerem na Igreja Cristã, ou são ordenadas na Bíblia, ou são indiferentes. Premissa menor – as vestes não são ordenadas na Bíblia para uso na Igreja Cristã, nem são coisas indiferentes. Conclusão – logo, não devem ser exigidas na Igreja Cristã.[13]

Com atitudes como estas, é possível percebermos evidências da separação entre o pensamento puritano e a Igreja Anglicana.
Com a morte de Eduardo VI em 1553, se inicia o governo de Maria, filha de Henrique VIII com Catarina de Aragão. Medidas são tomadas com o objetivo de restaurar o catolicismo. Tais atitudes levaram muitos líderes protestantes sofrerem duras perseguições. Muitos foram mortos tais como Latimer, Ridley e Cranmer. Outros fugiram da Inglaterra para Genebra, Zurique e Frankfurt. Entre estes, estava John Knox e William Whittingham. Em Frankfurt acontece algo importante para o entendimento do desenvolvimento do puritanismo. William Whittingham apresenta propostas de reformas litúrgicas na Igreja da Inglaterra que são aceitas pela maioria da igreja dos exilados em Frankfurt, onde surge um grande embate. Richard Cox, um anglicano que havia fugido da Igreja na Inglaterra, se opôs a esta reforma litúrgica. Seu maior embate foi com John Knox, pastor nomeado para a igreja de Whittingham. Cox defendia que a Igreja deveria ter o rosto da Igreja da Inglaterra, uma ideia tipicamente anglicana. Diante disto, John Knox retrucava dizendo que ela deveria ter o rosto da Igreja de Cristo. Sendo assim, nasce a divisão essencial entre puritanos e anglicanos, segundo Lloyd-Jones.[14]
Pouco depois, Knox é forçado a sair de Frankfurt e ir para Genebra onde é acolhido por João Calvino. Aí permanece aprendendo durante um período, e mais, ele se torna a figura central da reforma na Escócia, conforme Klein. “A implantação da reforma na Escócia deve-se a João Knox (ca. 1514-1572), que esteve em Genebra como refugiado, tendo sido aluno de João Calvino” [15]   
Estes eventos aconteceram durante o exílio ocasionado no reinado de Maria, que foi lembrada por muitos de seus críticos como “a sanguinária”. Este apelido foi dado a ela por ter decapitado e mandado para o fogo cerca de trezentas pessoas. Os mais conhecidos desta lista foram os bispos Latimer, Ridley e Cranmer.
Em 1558 morre Maria e a sua meia irmã, Elizabeth, filha de Ana Bolena com Henrique VIII, assume o poder. A nova rainha, ao contrário de sua irmã, não defende o catolicismo.[16] Entretanto, Elizabeth afirma que ela seria a líder da Inglaterra e que, em suas mãos, estaria a responsabilidade de tomar atitudes ligadas ao governo eclesiástico na Inglaterra. “Elizabeth logo começou a afirmar-se e a alegar que ela era a governadora suprema da igreja da Inglaterra e que a nomeação dos bispos estava em suas mãos.”[17] Todavia, a rainha não assumiu uma postura protestante radical. Ela buscava encontrar um ponto de equilíbrio entre os costumes católicos e protestantes, mas sempre procurando se enquadrar aos moldes da Igreja Anglicana. Desta forma, ela também modifica algumas questões doutrinárias e litúrgicas da Igreja, como a revisão do Livro de Oração Comum e a redução dos 42 artigos de religião para 39.
[...] Dentro desta igreja, não teriam lugar nem para o catolicismo romano nem para o protestantismo extremo. Porém qualquer outra forma de protestantismo seria aceitável, sempre que se ajustasse ao culto comum da igreja anglicana. Além da Lei da Uniformidade, o principal instrumento desta política era o Livro de Comum Oração, que Elizabeth fez revisar e reeditar. Como sinal de sua política de inclusivismo teológico, é notável o modo pelo qual esta nova edição combina as duas formas que o ministro devia usar ao repartir o pão nos dois livros publicados sob Eduardo VI.[18]
  Neste momento, já havia um grupo mais organizado de protestantes que buscavam remover todos os resquícios do catolicismo romano da Igreja da Inglaterra, além de não concordarem com a forma de interpretação das Escrituras formuladas pelos anglicanos.[19]
  Mesmo diante dos apelos, Elizabeth continua com sua postura, entendendo que tais posicionamentos livrariam seu país de uma guerra civil por motivos religiosos. [20] Daqui em diante, é possível perceber, em meio ao contexto político e religioso Inglês a organização e o crescimento dos puritanos.


Os puritanos da época da perseguição sob o reinado de Maria se refugiaram no continente sofrendo influência a da reforma. Seu principal objetivo era purificar a igreja da Inglaterra de qualquer vestígio que acreditassem tratar da corrupção católica romana. Por esse motivo, em 1568, receberam o apelido de puritanos. Em 1569, surge Thomas Cartwright que era um dos principais líderes do movimento puritano presbiteriano. Já Henry Jacob apresenta uma tendência congregacional ou independente, conforme Cairns: “Um grupo de puritanos, que não seguia o modelo presbiteriano de Cartwright, adotou as idéia de Henry Jacob (1563-1624), que pode ser considerados como o fundador dos independentes ou congregacionais puritanos.” [21]
 Mais tarde, por conta de perseguições, Cartwright passa a viver como peregrino e em grande parte deste tempo, no continente. Alguns puritanos se organizaram em presbitério e outros rejeitaram utilizar o manual litúrgico anglicano. [22]
Em 1593 a rainha se volta contra o movimento passando a perseguí-los: “Elizabeth promulgou, em 1593, um ato contra os puritanos. Este ato permitia às autoridades prenderem os puritanos por faltarem à igreja Anglicana.” [23]
Sobre esta perseguição também lemos em Latourette:
Sob pressão de Elizabeth e Whitgift, o parlamanto passou (1593) atos dirigidos aos puritanos sob aparência externa de “sectários sediciosos e pessoas desleais”; e ordenado que todos que não se conformavam às leis por “vir à igreja para ouvir o serviço divino”, deixassem o reino. [24]
Mesmo diante da perseguição, vemos que tanto os puritanos da Igreja Anglicana, como Cartwright e Henry Jacob não possuíam a intenção de separar a Igreja do Estado. Entretanto, havia também um grupo de puritanos separatistas que entendiam que a Igreja deveria ser separada do Estado.[25]
Uma figura importante que precisamos destacar neste grupo de separatistas foi Robert Browne. Conforme Latourette, “Um proeminente pioneiro foi Robert Browne (morto em 1633), graduado de Cambridge e originalmente um puritano.” [26]


A rainha Elizabeth morre em 1603 e, assim, encerra a dinastia dos Tudors na Inglaterra, dando lugar agora para os Stuarts governarem. O rei Tiago inicia o seu governo vindo da Escócia. O novo rei é filho de Mary Stuart, rainha da Escócia e assume o reinado por falta de herdeiros deixados pela casa de Henrique VIII.
Com a morte de Elizabeth (1603), os temores de Herique VIII se concretizam, e nenhum de seus descendentes foi deixado para reivindicar o trono. A coroa passou para Tiago, filho de Mary Stuart “Rainha dos Escoceses”, e bisneto de Margareth, filha de Henrique VII. [27]
Tiago I, mesmo tendo sido criado no presbiterianismo, quando chega à Inglaterra assume uma posição episcopal. Contudo, os puritanos esperavam que o rei adotasse um modelo presbiteriano de governo. Com isso, em 1603, apresentaram ao rei um documento que ficou conhecido como “Petição Milenar”. Este documento solicitava ao rei que a Igreja se tornasse puritana em sua forma de liturgia e administração. Isto não agradou o rei que se enfureceu e ameaçou colocá-los para fora do reino.
Quando seu sucessor, James VI da Escócia, tornou-se James I da Inglaterra, em 1603, os puritanos esperavam que este rei, calvinista favorável ao sistema episcopal, estabelecesse um sistema presbiteriano de governo da Igreja Anglicana. Para enfatizar sua esperança eles lhe apresentaram, quando a sua chegada em 1603, a Petição Milenar, assinada por cerca de mil ministros puritanos, em que pediam que igreja anglicana fosse completamente “puritana” na liturgia e na administração. O rei, atarracado, obeso, orgulhoso e tagarela convocou a Hampton Court Conference (Conferência da Corte de Hampton em 1604. Quando os puritanos pediram novamente para ele reformar, James se enfureceu e prometeu que “os afugentaria do reino”, se não se conformassem; sobre o sistema presbiteriano de administração eclesiástica, na igreja oficial,  disse que o presbiterianismo “se harmonizava tanto com a monarquia como Deus com o diabo”. [28]
Da conferência de Humpton, vista na citação acima, surge a proposta de criarem uma nova tradução para a Bíblia utilizada na época. Esta tradução ficou conhecida com a tradução do Rei Tiago ou King James Version. Esta nova versão veio substituir as duas traduções do reinado anterior. Uma ficou conhecida como a Bíblia dos Bispos que, de forma geral, utilizava a tradução de Tyndale. A segunda foi a Bíblia de Genebra que possuía o Novo Testamento de Tyndale, mas o Antigo Testamento continha uma nova tradução. Esta em suas notas possuía influência calvinista e puritana e também era lida nos cultos e tinha grande aceitação nos lares. O trabalho de tradução da Bíblia do rei Tiago teve início em 1607 e foi publicado em 1611.
Durante o reinado de Tiago, os puritanos seguiam crescendo e ativos. Em algumas paróquias, estabeleceram pregadores que procuravam fortalecer suas convicções. Constantemente utilizavam versões dos salmos em versos e música e incentivavam a observância do domingo. Enfatizavam a leitura bíblica, o culto nos lares e se esforçavam por viver de forma incorrupta.[29] Eles cresciam também no Parlamento. Muitas vezes, se chocavam com o rei pelo fato dele incentivar o esporte, a dança, jogos de aposta e exercícios atléticos nos domingos.[30]
Em se tratando dos puritanos separatistas e independentes, existe um crescimento menor. Alguns, após perseguição, se refugiam na Holanda, porém muitos permanecem na Inglaterra. Havia entre eles variedades de pensamentos como é o caso dos Congregacionalistas e Batistas que sustentavam ideais arminianos, como o caso de John Smyth e, mais tarde, os que sustentavam o pensamento da expiação limitada.[31]
Em outro momento, o rei expressa uma intenção que desagrada o Parlamento que foi a tentativa do rei em casar seu filho Carlos com uma espanhola da casa de Áustria. Tal projeto não se concretizou e em 1625 com sua morte, seu filho o sucede no trono.[32]

Em 1625, Carlos I assume o governo da Inglaterra. Ele, assim como o seu pai, era partidário da monarquia absolutista e entendia que o governo da igreja era um direito divino atribuído ao rei assim como o episcopado. No início do seu governo, Carlos busca o apoio do Parlamento, mas não consegue. Com isso, o rei governa sem a ajuda deles de 1629 a 1640. Neste período muitos, puritanos, que esperavam por condições melhores na Inglaterra, partem para as Colônias Inglesas na América do Norte. As condições pioram para o grupo de puritanos quando o rei nomeia como Arcebispo de Canterbury, William Laud. Ele era de tendência arminiana.[33]
 Em 1637, surge a tentativa de impor um novo Livro de Oração Comum na Igreja da Escócia e mudar sua forma de administração da eclesiástica. Este evento ocasionou uma revolta por parte dos escoceses. Em 1638, eles invadem a Inglaterra com o fim de defenderem o presbiterianismo. Neste momento, o rei sente a necessidade de buscar apoio do Parlamento para buscar recursos financeiros com o fim de organizar o seu exército. [34]     
Este Parlamento ficou conhecido como o Parlamento Extenso, o qual possuía membros que estavam descontentes com o reinado como explica Justo González.
Os últimos anos antes da convocação desta assembleia tinham trazido consigo dificuldades econômicas. Os desajustes sociais e econômicos, que antes havia prejudicado unicamente os pobres e os trabalhadores, começaram a afetar também os comerciantes e industriais. Logo, quando ocorreram as eleições para o Parlamento, a maioria representava o descontentamento com a coroa, tento por razões econômicas como por motivos religiosos.[35]

Este Parlamento tomou algumas atitudes que contrariaram o rei e deixou de cumprir outras impostas por ele. Cada vez que Carlos procurava o Parlamento, as tensões aumentavam. Em 1636, uma reunião conhecida como a Assembléia de Westminster foi convocada por parte dos parlamentares. Esta assembleia foi estabelecida para aconselhar o Parlamento a respeito de assuntos ligados à Igreja. Esta assembléia era composta de clérigos e leigos, a maioria deles puritanos e a outra parte, formadas por episcopais e independentes, e ainda comissários escoceses sem direito a voto. [36] Outras medidas foram tomadas para que no Parlamento fossem excluídos elementos que  apresentassem oposição ao puritanismo. Finalmente, o Parlamento recrutou uma milícia.[37] Considerando que estas forças estavam nas mãos do Parlamento, e não do rei, ele reuniu a tropa para lutar contra a milícia parlamentar. Daí inicia-se uma guerra civil.[38]

A guerra finaliza com a vitória do exército do Parlamento, e este sob o comando do general Oliver Cromwell que, após a execução do rei Carlos I, em 17 de fevereiro de 1649 assume o governo.[39] Neste momento, um puritano e, podemos dizer, do protestantismo radical, assume o governo.
Como governador, Cromwell inicia um processo de reforma tanto no ambiente político como religioso, como destaca Justo González a respeito destas reformas.
[...] Sua política religiosa foi relativamente tolerante devido ao ambiente da época. Ainda que ele mesmo tivesse idéias independentes, tratou de criar um sistema eclesiástico em que couberam tantos os independentes como os presbiterianos, os batistas e até alguns partidários moderados do regime episcopal. Como bom puritano, empenhou-se em um programa de reformar os costumes e logo ter leis acerca do Dia do senhor, das corridas de cavalos, das brigas de galos, do teatro, etc. [40]  
No campo econômico, ele favoreceu as classes médias em detrimento dos mais ricos e também, em certa medida, os empobrecidos. Já no campo da política, ele exerce uma função de protetor, ou seja, governa com a ajuda do parlamento, mas rejeita a coroa.[41] Seu objetivo era de estabelecer uma república.
Em 1658, pouco antes de sua morte, Cromwell indica seu filho para sucedê-lo, todavia Ricardo Cromwell, após iniciar o protetorado, abandona o governo depois de ser traído pelo Parlamento, dando fim ao governo puritano. O fracasso do protetorado conduz novamente à busca pelo restabelecimento da monarquia trazendo de volta os Stuarts, com o reinado de Carlos II e uma nova perseguição aos puritanos.[42]
Durante todo este processo de efervescência política e religiosa na Inglaterra, surgem alguns protagonistas puritanos que não podemos deixar de citar. O primeiro é John Bunyan, autor de O Peregrino,  considerado como uma das obras literárias de devoção mais lida no mundo, que contribuiu para levar o puritanismo para lugares distantes. O segundo é John Milton e seu livro O Paraíso Perdido.



1.M.Lloyd, JONES. Os puritanos, suas origens e seus sucessores. Trad Odayr Olivetti. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1993. p. 249.

[2]  JONES, 1993, p. 250.
[3] GONZÁLEZ, Justo. Uma História Ilustrada do Cristianismo: A era dos dogmas e das dúvidas. São Paulo: Vida Nova, 1982. p. 51. volume 8.
[4] CAIRNS, Earle E. Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. Trad: Isabel Belo de Azevedo. 2ª Edição. São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 221.
6 KLEIN, Carlos Jeremias. Curso de história da Igreja. São Paulo: Fonte Editorial, 2007. p. 223. 

[6]GONZÁLEZ, Justo. Uma História Ilustrada do Cristianismo: A era dos reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1983. p. 124. volume 6.
[7] JONES, 1993. p. 250.
[8] KLEIN, 2007. p. 224. 
[9] JONES, 1993, p. 250.
[10] Ibid., p. 251.
[11] GONZÁLEZ, 1983. p. 129. 
[12] KLEIN, 2007. p. 226. 
[13] JONES, 1993, p. 252.
[14] Ibid., p. 255.
[15] KLEIN, 2007, p. 228. 
[16] GONZÁLEZ, 1983, p. 133. 
[17] D.M.Lloyd, JONES, 1993, p. 256.
[18] GONZÁLEZ, 1983, p. 135. 
[19] D.M.Lloyd, JONES, 1993, p. 253.
[20] LATOURETTE, Kenneth Scott; KLEIN, Carlos Jeremias. Uma História do cristianismo. São Paulo: Hagnos, 2006. p. 1100. volume 2.
[21] CAIRNS, 1995, p. 273.
[22] LATOURETTE, 2006, p. 1103.
[23] CAIRNS, 1995, p. 274.
[24] LATOURETTE, 2006, p. 1103.
[25] CAIRNS, 1995, p. 275.
[26] LATOURETTE, 2006, p. 1104.
[27] Idem
[28] CAIRNS, 1995, p. 276.
[29] LATOURETTE, 2006, p. 1106.
[30] Ibid., p. 1107.
[31] Idem
[32] GONZÁLEZ, 1982. p. 57. 
[33] CAIRNS, 1995, p. 277.
[34] Idem
[35] GONZÁLEZ, 1982, p. 62. 
[36] LATOURETTE, 2006, p. 1111.
[37] GONZÁLEZ, 1982, p. 64. 
[38] Ibid., p. 65
[39] HILL, Christopher. O eleito de Deus: Oliver Cromwell e a revolução inglesa. Trad: Carlos Eugenio Marcosndes Moura. São Paulo: Companhia das letras, 1988, p 97.
[40] GONZÁLEZ, 1982, p. 76. 
[41] Idem
[42] Ibid., p. 77.  

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