quinta-feira, 19 de março de 2015

O Desafio do Plantio de Igrejas

Por Fernando Corrêa Pinto 

“separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At.13:2)
Plantar igrejas não deve ser definido “simplesmente” em termos de treinamento e habilidade, mas sim pelo poder e desejo de Deus em salvar os perdidos. Neste sentido é importante mencionar dois conceitos básicos. O primeiro consiste em lembrar que a missão é de Deus, e para que ela seja realizada, é necessário que Deus esteja na direção. Desta forma é
fundamental que o plantador de igrejas seja antes alguém que desenvolve um relacionamento íntimo com Deus e com Sua Palavra. A Bíblia dará o norte no caminhar da missão, ela tem tudo o que necessitamos para que em qualquer lugar possamos desenvolver um trabalho frutífero para Deus e para salvação de seus filhos.
Em segundo lugar, gostaria destacar alguns problemas da sociedade em que vivemos. Tais problemas fazem com que muitas atividades sejam realizadas para que haja resultados rápidos. Vemos fórmulas de sucesso mirabolantes e com pouco esforço. Todavia isso não pode ser visto como o fundamento para a implantação de igrejas.
Antes de partir para os estudos no seminário, para a preparação para o ministério, conversei com um amigo de confiança e lhe disse que gostaria de fazer o curso de Marketing antes de me formar pastor. Este homem me ajudou a enxergar que estava com o foco errado, pois estava buscando e me apoiando em ferramentas humanas para me preparar para o serviço do Senhor. Saí daquela conversa com muita fé, crendo que o que precisava realmente era me preparar buscando a Deus, Sua Palavra e crescendo através do discipulado.
John Stott tem uma reflexão preciosa sobre a missão a partir de Antioquia relatada em Atos 13. Esta reflexão é de grande importe para nossos dias e deveria ser aplicado em nossas igrejas. Lá o Espírito através das orações da igreja, revela que dois discípulos deveriam ser enviados, portanto percebemos que a separação destes deveria vir por intermédio de uma igreja que estivesse sensível e atenta a voz de Deus.[1]
O Plantio de igrejas não deve ser definido em termos de resultados humanos, mas sim pela fidelidade às Sagradas Escrituras.
Certa vez, recebi dois convites de líderes diferentes. O primeiro estava me propondo uma responsabilidade de fazer uma pequena comunidade de 20 pessoas crescer em um ano. Este me ofereceu muitos recursos para esta empreitada. O outro convite foi para que eu caminhasse ao lado de um pastor mais experiente e aprendesse com ele a respeito da vida e ministério. Recusei o primeiro entendendo que em um ano não seria possível fazer o que ele me propunha de forma saudável. Preferi continuar aprendendo como faço até hoje ao lado de pessoas mais experientes. Não existe drive-thru no relacionamento com Deus.
A dinâmica de Deus requer aprendizado, maturidade, experiência e provação. Isso leva Tempo. Um cogumelo nasce da noite para o dia e é esmagado com dois dedos. Todavia um carvalho leva anos para crescer, e para derrubar esta arvore é necessário grande esforço, isso porque ela levou tempo para se solidificar.
Muitos hoje têm viajado o mundo em busca de referenciais para o modelo que se deve aplicar em sua igreja. Entretanto a Palavra de Deus já nos dá essas ferramentas. Mais uma vez afirmo que é necessário se voltar para Deus em oração e leitura Bíblica para que possamos compreender em Deus como deve ser realizada a edificação de Sua igreja.
Também, de forma nenhuma podemos sofrer com o que chamo de “numerolatria”, que é a busca pelo crescimento a qualquer custo. Todavia também a “numerofobia” ou o medo de lidar com os números não pode tomar conta do coração do líder. Acredito que esses dois termos estão equivocados e precisam ser substituídos por um crescimento saudável que inclui, quantidade, qualidade e unidade.
Por fim, destaco que o plantio de igrejas não deve ser uma ação definida simplesmente pelo conhecimento do Evangelho, mas sim por sua proclamação e vivencia.
Muitas são as escolas que preparam obreiros para abrir frentes missionárias. Eu gostaria de destacar os métodos de duas frentes missionárias que conheço. No Brasil foi muito forte o estabelecimento de frentes missionárias agregadas ao trabalho de médicos e professores. Este método consistia em colocar um prédio de igreja próximo a uma escola ou hospital.  A outra estratégia era realização de ação social. A pergunta que precisamos fazer neste processo é: Cristo foi proclamado com fidelidade nestes lugares? Pessoas se converteram e mudam de vida? O ensino bíblico foi abundante? Realmente não quero dizer que o evangelho não deve ser integral, todavia muitas vezes estas ações têm tomado o lugar da mensagem de salvação e trazido a mensagem do alívio momentâneo a dor ou da frustração pessoal, e de forma alguma isso pode tomar o lugar da pregação, pois a proclamação do evangelho não é substituível.
A mensagem de Deus como Criador e Soberano (Ef. 1:3-6), o pecado que nos separa Dele (Ef. 2:5), o Jesus crucificado e ressurreto como o plano histórico e central de Deus para redenção do homem (Heb. 1:1-4) e o Espírito Santo como aquele que nos guia a toda verdade, devem ser a mensagem central na empreitada do plantio de igrejas.
Tais mensagens vêm de um coração verdadeiramente convertido e apaixonado por Deus e pelo evangelho, um coração que busca glorificar a Deus em primeiro lugar e ver o Seu reino sendo estabelecido na vida daqueles que serão salvos.





[1] http://www.ronaldo.lidorio.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=20&Itemid=26

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